Firmina (2023)

Da sororidade ao heroísmo

título original (ano)
Firmina (2025)
país
Brasil
gênero
Drama
duração
15 minutos
direção
Izah Neiva
elenco
Teca Pereira, Aysha Nascimento, Babu Santana, Mel Soulz, Mario Alves, João Bosco
visto em
8ª Mostra de Fama (2025)

A princípio, Firmina interessa enquanto crônica. Partindo do roteiro de Adelmo Passos, a diretora Izah Neiva registra a entrega de uma caixa da pintora Firmina (Teca Pereira), esquecida no caminhão de mudança — uma maneira funcional de informar o espectador a respeito do novo apartamento. A quantidade de detalhes cotidianos incorporados ao processo é muito bem-vinda: o interfone que não funciona, a ida da mulher ao banheiro. Nota-se a vontade de registrar dias comuns de uma classe média, nos quais se incluem os telefonemas atenciosos do filho (Babu Santana).

No entanto, o conflito principal não tarda a aparecer. A mulher escuta uma vizinha gritando por socorro. Aparentemente, é vítima de violência doméstica, apesar de o trabalho sonoro se mostrar bastante discreto na construção dos acontecimentos. Na hora de mergulhar no apartamento vizinho, a direção se solta, flagrando o rosto de uma jovem mulher aos gritos (mistura de imaginação e lembrança da protagonista), face à figura fantasmática de um tirano em contraluz. Além da vizinha, a protagonista precisa salvar a si própria.

Infelizmente, o roteiro investe em alguns quiproquós convenientes, e pouco verossímeis naquele contexto. Firmina perde a chave da porta de entrada, e o telefone celular não funciona. O interfone fora de serviço se converte em obstáculo suplementar. Nota-se o prazer em dificultar este auxílio emergencial, somente para que os esforços da mulher idosa sejam ainda mais corajosos ao inventar maneiras de chamar a atenção dos passantes na rua, e garantir a segurança da outra. Assim, sob pretexto de valorizar a rede de apoio entre mulheres, o discurso privilegia uma forma de heroísmo sacrificial.

Ao final, a vítima será revelada com uma maquiagem exageradíssima, mais próxima da comédia do que do drama, enquanto a frase de efeito na imagem final sublinha a mensagem suficientemente clara até então. O que dizer de dois idosos jogando dominó numa banquinha em plena Avenida Paulista, como se fosse uma pequena rua de bairro? O curta-metragem não se mostra particularmente sutil na condução, nem no alerta.

Em contrapartida, é ótimo encontrar Teca Pereira no papel de uma pintora autônoma, assim como Babu Santana encarnando o filho carinhoso. A dupla de Kasa Branca sai dos papéis ligados às limitações da idade e à exclusão social, para representarem uma família funcional e carinhosa. A narrativa se sai melhor nas belas imagens do cotidiano do que na responsabilidade autoatribuída de cautionary tale. Mesmo assim, possui clara noção do escopo da sua produção e da amplitude que consegue encaixar no formato específico do curta-metragem.

Firmina (2023)
5
Nota 5/10

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