O Homem de Água (2025)

Fantasia de gente

título original (ano)
O Homem de Água (2025)
país
Brasil
gênero
Romance, Fantasia
duração
20 minutos
direção
André Talamonte
elenco
Beatriz Campos, Murilo de Andrade, Marcos Mendes Maciel, Patricia Toledo, Domingos Meira
visto em
8ª Mostra de Fama (2025)

Em meio a uma programação bastante clássica, é ótimo encontrar uma proposta como a de O Homem de Água, de André Talamonte. Isso porque a fantasia pauta este romance no qual uma mulher solitária se apaixona por uma criatura portando um escafandro. Ela o sonha através de um nome específico, Elvis, que a persegue e se materializa. O amor perfeito vem literalmente até ela.

A perspectiva de uma monstruosidade costuma interessar no cinema enquanto perspectiva do outro, da diferença. O cineasta prefere a abordagem lúdica na qual a constituição do rapaz aquático parece não incomodar ninguém. As pessoas o cumprimentam; Elis (Beatriz Campos) se apaixona, e passam a viver juntos. Aparentemente, o homem pode inclusive procriar. O próprio curador da Mostra de Cinema de Fama comparou o curta-metragem a um “A Forma da Água brasileiro”. 

Para além da idealização do amor romântico enquanto salvação, idealiza-se em paralelo que uma criatura tão estranha (ele faz barulhos de respiração subaquática, e arrasta os pés tal qual um monstro comum) seja aceita sem sobressaltos pela sociedade. Ironicamente, o único porém decorre de um grupo de jovens negros fazendo beatbox na rua. (A escolha de situá-los como únicos preconceituosos e pouco inclusivos talvez pudesse ser revista pelo roteiro).

Infelizmente, o pressuposto da fantasia nunca vai muito longe. Jamais descobrimos ao certo como Elvis ama, nem de que outras maneiras se insere em sociedade. Algumas reviravoltas ao casal também soam apressadas. Logo, percebe-se que a antropomorfização da água interessa mais ao cineasta do que a metáfora de alguma monstruosidade de fato. O ponto de vista também se mostra indeciso entre permanecer junto a Elis (nossa condutora na primeira metade) e Elvis (que domina a segunda parte).

O desinteresse pela ficção científica, o terror ou a magia enquanto estética (nada espetacular, aterrorizante ou mesmo lúdico ocorre a este personagem) se traduz numa conclusão aberta até demais, após um importante acontecimento que a direção prefere somente sugerir, ao invés de mostrar. O Homem da Água permanece no domínio das ideias, em detrimento de uma construção aprofundada dos obstáculos e especificidades de um ser aquático vivendo entre os humanos, tal qual um peixe fora do aquário.

Já a narrativa simplifica alguns processos, em nome dos imperativos do feel good movie. A heroína possui uma melhor amiga que serve unicamente para comentar as paixões da Elis (elemento típico das comédias românticas), dispensando qualquer traço de vida própria. Ambas transitam por uma piscina sempre vazia, ou numa biblioteca concebida unicamente para elas. No final, o elemento fantástico se presta a uma fuga do real, ao invés de uma maneira de melhor confrontá-lo. Talvez, por isso, a possível paixão sonhada de Elis soe tão juvenil, em oposição a um sentimento visceral. Uma leitura possível, inclusive, apontaria a uma protagonista delirante, ilógica, num registro que dificilmente soa elogioso à caracterização da mulher adulta.

O Homem de Água (2025)
5
Nota 5/10

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