A Maré (2025)

Direto ao ponto

título original (ano)
A Maré (2025)
país
Brasil
linguagem
Documentário
duração
21 minutos
direção
Jair Libanio
visto em
12ª Mostra de Gostoso (2025)

A Maré poderia ser descrito como um documentário direto. O diretor Jair Libanio possui uma mensagem clara para transmitir ao espectador, a respeito da degradação da natureza no Rio Potengi e nos arredores, gerando danos culturais e econômicos graves aos ribeirinhos. Logo, ele conversa com dois moradores, em especial, que vivem destas águas desde a infância, e podem relatar casos de desmatamento e destruição do mangue, por exemplo. O conteúdo é simples, acessível, informativo.

Ora, o elemento de maior surpresa diz respeito à configuração tão polida quanto sisuda da mise en scène. Os criadores evitam todos os elementos de um cinema pop, normalmente empregados para tornar a experiência mais leve e divertida ao espectador. Não há letreiros iniciais, narrações em off, trilha sonora ambiente (exceto pelo rock final), nem mesmo legenda com o nome e “função” dos entrevistados. Nada de animações ou brincadeiras com o design gráfico, muito menos montagem fragmentada para tornar a experiência mais dinâmica. 

O cineasta acredita numa comunicação contemplativa, de planos longos, bem compostos, dispostos a admirar o dia a dia da mulher que vende peixes, e o percurso do homem em seu barco. Exceto por um ou outro corte “interno” meio brusco (de um enquadramento para o mesmo enquadramento), o curta-metragem demonstra captação e tratamento muito polidos de som e imagem. Não ilumina excessivamente suas paisagens, nem busca o pôr do sol e outros facilitadores, destinados a embelezar este cenário. Felizmente, nunca somos convidados a acreditar na preservação ecológica por motivos turísticos.

É possível que a divisão em capítulos soe contraproducente, graças à disposição destes elementos da narrativa, além de contribuir muito pouco à organização narrativa. A aparição de “Maré baixa”, a princípio, desperta a impressão de que este seria o verdadeiro título do filme, e quando “A Maré” enfim surge na tela, parte considerável dos espectadores aplaudiu a sessão, acreditando se tratar do fim da obra. Esta divisão em três partes mais atrapalha do que esclarece o percurso ao espectador.

Mesmo assim, sobressai uma mensagem clara, de ordem política e ambiental. Libanio sabe muito bem escutar e, melhor do que isso, sabe observar, contemplar, e deixar tempo ao espectador para processar as informações apresentadas pelos personagens. Trata-se de uma mecânica menos simples do que aparenta, a princípio: muitos cineastas explicam demais, tais quais professores excessivamente voluntariosos, ou chamam atenção demais à sua própria astúcia na criação de imagens e sons, transparecendo uma vaidade autoral. Aqui, o cinema é colocado a serviço de uma causa, de um local e de seus personagens, de maneira tão competente quanto profissional.

A Maré (2025)
7
Nota 7/10

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