Corpo Aberto (2024)

LGB

título original (ano)
Corpo Aberto (2024)
país
Brasil
gênero
Drama
duração
20 minutos
direção
João Victor Borges, Will Domingos
elenco
Tomás Braune, Alexandre Amador, Lucas Inacio Nascimento, Flaviane Damasceno, Isabel Figueira, Gabriel Henrique Guedes
visto em
9ª Mostra Quelly (2025)

Corpo Aberto é um curta-metragem extremamente ambicioso. Os diretores João Victor Borges e Will Domingos decidem retratar expressões dissidentes de gênero e sexualidade em Guaratiba, Rio de Janeiro, focando-se tanto em rapazes gays negros quanto em personagens bissexuais e em experiências lésbicas. Ao longo de vinte minutos, entrelaçam orientação sexual, gênero, raça, classe social, ideologia.

Por isso, apostam numa narrativa coral, rara em curtas-metragens. Os autores observam, simultaneamente, a concretização do amor entre um professor e seu namorado pelos manguezais; a antiga paixão de um vendedor ambulante por uma garota da região, que hoje vive com a namorada; e a proximidade homoafetiva deste mesmo vendedor com o amigo. De passagem, o roteiro discute a precarização de projetos sociais, a dura vida dos moradores de subúrbios, a hipocrisia de instituições patriarcais, e a percepção das identidades queer em regiões afastadas das capitais.

Cada uma destas histórias possui forte potencial, graças sobretudo aos atores em registro bastante homogêneo. É possível acreditar em cada uma das falas, tamanho o despojamento dos corpos e diálogos. Não é nada fácil calibrar um elenco com tal precisão, sinal de que Borges e Domingos possuem facilidade no trabalho com intérpretes de diferentes estilos e graus de intimidade com a atuação. Em cada fragmento paralelo, os afetos soam tão palpáveis quanto as provocações amigáveis e a tensão erótica no ar.

O escopo se expande de tal forma que não conhecemos, de fato, nenhum destes protagonistas em profundidade.

Em contrapartida, o escopo se expande de tal forma que não conhecemos, de fato, nenhum destes protagonistas em profundidade. Eles são instrumentalizados enquanto representações da sigla LGBTQIA+, porém possuem pouca subjetividade, dada a velocidade com que se passa ao núcleo alheio. Entre tantas maneiras possíveis de estruturar um curta-metragem narrativo, os autores optam por aquilo que se convencionou chamar de mini-longa, ou seja, um projeto para servir de portfólio ao desenvolvimento da mesma história num longa-metragem (onde os segmentos talvez respirem e assentem melhor).

Por este motivo, alguns recursos ousados (parte da história narrada em stills, somados ao som em off) resultam desconexos esteticamente do restante da proposta. Talvez pela dificuldade de costurar tantos episódios, o curta-metragem se encerra de maneira abrupta — uma vez ilustrada cada uma das sexualidades-alvo para os autores, a trama simplesmente se interrompe, com uma dança comemorativa de todos reunidos. Trata-se de um recurso conveniente, que aprofunda a impressão de um interesse mais profundo na exemplificação abrangente da sociedade do que nos conflitos específicos de cada dupla ou casal. Corpo Aberto soa como aperitivo para um ótimo longa-metragem que um dia virá.

Corpo Aberto (2024)
5
Nota 5/10

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