Valéria di Roma (2025)

Duas mulheres

título original (ano)
Valéria di Roma (2025)
país
Brasil
linguagem
Drama
duração
15 minutos
direção
Carlos Mosca
elenco
Danny Barbosa, Norma Góes, Márcio de Paula
visto em
20º Fest Aruanda (2025)

Neste curta-metragem, o diretor Carlos Mosca parte de uma curiosa tentativa de imaginar Valéria Messalina nos dias de hoje. Como seria, no século XXI, a imperatriz romana, terceira esposa de Cláudio, conhecida quase exclusivamente nos livros de História por seu apetite sexual? De que maneira o olhar machista e moralista a esta mulher (morta por assassinato) encontraria equivalência nos nossos dias?

A resposta vem através de uma artista transexual. Danny Barbosa, uma das atrizes mais instigantes do cinema recente, encarna esta figura. Ao pesquisar a origem de sua família num site da Internet, é obrigada a inserir o nome masculino — sinal de que importa ao texto, de fato, sua identidade de gênero. Adiante, ela se apresenta em bares, vestida como a figura nobre de séculos atrás, diante de clientes que comem uvas, tal qual ocorreria aos banquetes daquela época.

Os melhores instantes de Valéria di Roma decorrem precisamente das cenas inicial e final. A narrativa começa muito bem, com o rosto da protagonista atrás de uma cortina, em modo misterioso, antes de nos revelar, de imediato, o caráter performático da trama (ela se apresenta nos palcos). Logo, somos convidados a ler a proposta inteira pela perspectiva alegórica. No final, a trilha sonora e a arte empregada para os letreiros finais nos colocam numa espécie de abstração reflexiva, ideal para absorver o conteúdo proposto até então.

Entretanto, algumas escolhas prejudicam o resultado. A montagem aparenta suspender as cenas antes da revelação de seu propósito dramático, além de demonstrar dificuldade em sugerir passagem de tempo (a heroína marca um compromisso — corte simples — já se encontra na casa do homem). Há desníveis evidentes de som, tanto nos diálogos quanto no tratamento dos ruídos, enquanto o trabalho de câmera se prova um pouco desajeitado no bar, conforme efetua um travelling para trás, revelando mais elementos do espaço cenográfico. 

De modo geral, a obra parece buscar constantemente seu tom, entre o naturalismo e a fantasia; entre o farsesco, o satírico e o drama solene a respeito destas duas mulheres. Alguns diálogos opacos dificultam a tarefa de mergulhar num filme ora lúdico, ora profundamente sóbrio em sua evocação da Roma Antiga. O filme nem explora a fundo o imaginário kitsch que parece se desenhar sobre o palco, nem mergulha nos conflitos que levam esta mulher a buscar as suas origens. Por fim, o espelhamento entre a imperatriz “devassa” e a cantora solitária soa mais tímido do que instigante.

Valéria di Roma (2025)
5
Nota 5/10

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