Quarentena (2025)

Tragicômico

título original (ano)
Quarentena (2025)
país
Brasil
linguagem
Animação
duração
8 minutos
direção
Thomas Larson
vozes originais
Helena Pascal, Tom Larson, Otto Larson, Gabriela Pascal, Thomas Larson
visto em
9ª Mostra de Fama (2026)

A perspectiva de um filme sobre o período de isolamento social devido à Covid-19 não soa dos mais instigantes. Poucos projetos encontraram uma maneira relevante de abordar este passado recente. Perderam-se, em sua maioria, na constatação didática dos fatos (a existência do vírus, as mortes, as medidas sociais etc.) ou na lamentação e denúncia da maneira como foram administrados pelos respectivos governos. (Pontos de vista legítimos, apesar de óbvios).

Neste sentido, Quarentena, de Thomas Larson, representa um alívio ao espectador. O retrato de uma família de classe média (mãe, pai, três filhos) presos dentro de um apartamento surpreende graças ao tom tragicômico adotado pelo autor. Nada de solenidade, nem espetáculo das dificuldades pessoais. O filme retrata o tédio, a dificuldade de encontrar um espaço para si dentro de casa, a dependência de redes sociais. Em especial, concentra-se nas crianças enfrentando a pandemia.

Por isso, o roteiro investe numa comicidade do absurdo, de fácil identificação para qualquer indivíduo que tenha atravessado este período em família. A filha escuta incontáveis vezes a mesma música num tablet, outro filho inventa o dia da maquiagem aleatória (atacando, para isso, os cosméticos da mãe). O terceiro inventa-se criador de conteúdo, sem saber ao certo o que teria a dizer aos possíveis seguidores. Os diálogos provam-se plausíveis, de viés documental, repletos de cacoetes da língua oral.

Tal naturalidade se encontra com os traços de uma animação bastante livre. Nada de idealização ou belezas utópicas (os típicos traços arredondados e cores saturadas). Larson prefere um cotidiano naturalista e, por isso mesmo, insano devido às circunstâncias. Em oposição a tantas animações exemplares exibidas na Mostra de Fama, que pretendem nos educar a respeito de valores familiares (Hacker Leonilia) e da importância de acreditar a si mesmo (Esperança), Quarentena não aparenta carregar nenhum ensinamento. Ainda bem. O caráter de crônica se mostra bem mais interessante do que o cinema inspirador.

Quarentena (2025)
8
Nota 8/10

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