Na noite de 18 de julho, foi dada a largada para a 33ª edição do Festival de Cinema de Vitória. O evento capixaba traz 87 filmes, entre longas e curtas-metragens, com sessões gratuitas no Sesc Glória. A programação vai até 25 de julho, com datas e informações disponíveis no site oficial.
O grande momento da cerimônia de abertura foi a homenagem ao cineasta Rodrigo Aragão, um dos principais nomes do terror no Brasil. Nascido em Guarapari, este especialista em efeitos especiais sempre trouxe referências dos manguezais e das paisagens locais para seus filmes repletos de monstruosidades. Ele é conhecido por Prédio Vazio (2025), O Cemitério das Almas Perdidas (2020), A Mata Negra (2018), Mar Negro (2013) e Mangue Negro (2008). Além disso, apresenta no Festival de Vitória seu oitavo longa-metragem: Folclórica, o primeiro voltado ao público infantil.
“Eu passei metade da minha vida sonhando em fazer cinema, e a outra metade, fazendo”, ele explicou ao público, às vésperas de completar 50 anos. Explicou ter vindo de um meio modesto, e superado “TDAH, dislexia, pobreza e esquisitice” para insistir no terror, e nas narrativas fantásticas. Aragão é o criador do estúdio Fábula Filmes, que inclusive forma novos profissionais do audiovisual no Espírito Santo.

Em especial, o criador incentivou os adultos a fomentarem a cinefilia de seus filhos (“Não deixem as crianças no celular; levem para o cinema. Nada substitui”), enquanto encorajou jovens cineastas a persistirem nesta área, apesar de tantas dificuldades de viver de cinema no país. Concluiu com uma tirada tragicômica: “Fazer cinema no Brasil é uma grande roubada, mas é uma roubada maravilhosa”.
A primeira noite também trouxe a exibição de quatro curtas-metragens capixabas: Cinema, Poema e Gangrena, de Gustavo Guilherme da Conceição; Superfície, de Carolina Campista; Liberdade de Morar, de Penha Souza; e Salve, Rainha!, de Estevão Ribeiro e Fabio Carvalho. Os realizadores se mostraram particularmente honrados em apresentar seus trabalhos — muitos deles, em suas primeiras experiências — em um festival tão tradicional.
O primeiro longa-metragem em competição foi A Fabulosa Máquina do Tempo (RJ), de Eliza Capai, no qual crianças dos sertão do Piauí encenam a vida de seus pais, expondo os dilemas de uma vida de baixa renda. Infelizmente, a cineasta não estava presente em Vitória para apresentar o filme, que foi exibido no Festival de Berlim, e premiado no CinePE.



