Foto: Rennan @myimagem / Divulgação
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20º Fest Aruanda tem cinema na praia e homenagem a Raul Seixas

Para a sua edição comemorativa de 20 anos, o Fest Aruanda — Festival do Cinema Internacional da Paraíba apresentou um novo formato de sessão: o cinema ao ar livre, na praia de Tambaú. A estrutura ao lado do Busto de Tamandaré exibiu o documentário Raul: O Início, o Fim e o Meio (2012), do cineasta Walter Carvalho, que esteve presente para apresentar o filme. A sessão integrou uma homenagem ao músico baiano, completada por um show onde vários artistas interpretaram canções de Raul Seixas — inclusive a filha dele, Vivi Seixas, que apresentou suas releituras enquanto DJ.

Inicialmente, o público na região parecia acanhado em relação à novidade, e a breve chuva parecia ameaçar o evento. No entanto, logo a totalidade das cadeiras estava ocupada, e diversas pessoas trouxeram seus próprios bancos e espreguiçadeiras para assistirem à cinebiografia. Esta iniciativa representa mais do que um espaço suplementar para projeções: trata-se de um gesto de levar o cinema brasileiro gratuitamente a grande número de pessoas, que talvez jamais assistissem a um documentário nacional nas salas escuras ou nas plataformas de streaming.

Foi impressionante testemunhar tantas pessoas rindo com as brincadeiras de Raul, as falas de suas ex-esposas, assim como as ironias ocorridas diante das câmeras — vide a mosca que pousa sobre Paulo Coelho, pouco após a menção ao clássico A Mosca. O cinema na praia resgata o audiovisual enquanto ritual coletivo e gregário, nestes tempos em que as telas individuais têm predominado sobre a experiência das salas equipadas para esta finalidade. Além disso, a oportunidade populariza o Fest Aruanda, reforçando aos passantes o fato de haver, perto deles, um respeitado festival de cinema, que apresenta ótimos filmes brasileiros — além de uma inédita seleção internacional em 2025.

Foto: Rennan @myimagem / Divulgação
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Sem dúvida, ainda há aspectos a melhorar a partir desta sessão inaugural. A tela foi instalada perto demais da avenida, de modo que a fortíssima luz dos postes ao redor incide sobre a tela, prejudicando bastante a projeção. Como a tela semitransparente não estava esticada por completo, viam-se texturas e relevos na imagem, além da luz de celulares dos assistentes que, no espaço imediatamente atrás, organizavam os equipamentos para o show musical a seguir.

Além disso, a chegada de um político, literalmente na cena final de Raul: O Início, o Fim e o Meio provocou a invasão de uma comitiva de mais de dez pessoas com fortes refletores e máquinas fotográficas. O grupo parou em frente à tela e cobriu parte da imagem, atrapalhando demais a imersão com tamanha algazarra, no intuito de registrar o momento. Obviamente, é louvável que grandes representantes municipais e estaduais frequentem eventos deste porte, reconhecendo o valor do Fest Aruanda e de iniciativas como a sessão na praia. No entanto, é preciso honrar a figura ilustre sem prejudicar a exibição do filme para centenas de espectadores envolvidos com o documentário.

Ao menos, o som estava excelente, adaptado para a imersão ao ar livre — uma calibragem nada fácil de obter. Para uma primeira exibição neste formato, os organizadores se saíram muito bem, inclusive na divulgação do evento. Os acertos devem ser reparados nas noites seguintes (em 5 de dezembro, Sidney Magal se apresenta após a exibição do longa-metragem Me Chama que Eu Vou, sobre a sua trajetória), e mesmo nas edições futuras. Uma gigantesca produção é requisitada para este tipo de projeto (a Mostra de Cinema de Gostoso que o diga), e os organizadores demonstraram fôlego para uma implementação permanente desta sala — quem sabe, intercalando com as sessões habituais, no Manaíra Shopping. Que venham as próximas exibições.

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