Assalto (2025)

Ação X personagens

título original (ano)
Assalto (2025)
país
Brasil
gênero
Suspense, Policial, Ação
duração
16 minutos
direção
PH Martins
elenco
Julia Uliana, Jaciara Bernardino, Duilio Kuster Cid, Carlos Rosado, Paulo Coelho
visto em
33º Festival de Vitória (2026)

Duas duplas são apresentadas em paralelo. Primeiro, dois irmãos estão tensos dentro do carro (um deles vomita), diante dos planos que precisam executar nas próximas horas. Segundo, dois policiais torcem por um dia tranquilo, enquanto procuram um lugar para almoçar. Devido à montagem paralela, o espectador já sabe que os caminhos se cruzarão muito em breve. Quando o grande letreiro toma conta da tela, compreende-se a natureza da atividade pretendida pela dupla inicial. Dois criminosos, dois policiais, um assalto. Estão dispostos o tabuleiro e as peças do jogo.

O diretor PH Martins não desenvolve o quarteto muito além de suas funções narrativas. Por que os criminosos precisariam deste dinheiro, e por que escolheram aquele alvo específico? Já tinham feito isso antes? Qual a natureza da relação entre os dois, que motivará decisões bastante radicais por parte dos personagens a seguir? O que realmente perturba a policial feminina? Isso seria capaz de alterar sua conduta face ao ocorrido? Mistério. 

Mínimos indícios da subjetividade e do histórico destas figuras teriam sido essenciais para compreendermos suas motivações, os riscos em jogo, ou suspeitarmos dos próximos passos em termos de traições e agressões. Como podemos torcer por quem não conhecemos? Nos identificar com a aflição das duas mulheres, em particular? Quando elas afirmam precisar do dinheiro, podemos confiar em sua palavra, ou seria uma mentira na hora de negociar sua sobrevida? O texto abre mais lacunas do que está disposto a preencher.

Assalto decide colocar os personagens em segundo plano, em relação aos princípios da ação.

Logo, as principais falhas de Assalto dizem respeito à decisão de colocar os personagens em segundo plano, em relação aos princípios da ação. O diretor gosta de explorar os códigos do gênero: a arma empunhada ao alvo, a angústia quanto à reação do sujeito assaltado, a percepção de que os policiais estão chegando no local em que ocorre o crime (uma coincidência conveniente até demais), o revólver que cai no chão e será disputado por duas figuras que brigam. O ímpeto do movimento se sobrepõe ao desejo de compreender quem, afinal, vive ou morte neste embate.

Mesmo assim, as duas atrizes (Julia Uliana e Jaciara Bernardino) estão confortáveis nestes papéis de composição. Conseguem encarnar a policial de moral dúbia e a assaltante inexperiente através de poucos diálogos, dentro de uma obra que reserva às mulheres a ação e a força física. Talvez a conclusão seja lacônica até demais (novamente, devido ao fato de não entendermos quem são estas figuras, e por que agem como agem). Em contrapartida, demonstram a vontade do autor em adaptar os códigos norte-americanos à realidade brasileira, sem recorrer ao moralismo típico destas jornadas. Algo muito positivo deve surgir com a expansão da premissa no longa-metragem já anunciado por PH Martins.

Assalto (2025)
6
Nota 6/10

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