Sob Olhos (2026)

O caminho pela frente

título original (ano)
Sob Olhos (2026)
país
Brasil
gênero
Terror, Ficção Científica
duração
15 minutos
direção
Gabriel Nadippeh
elenco
Paulo Roque, Roberta Portela, Farid Sad, Brenda Romanzini, Edson Ferreira
visto em
33º Festival de Vitória (2026)

Não é fácil escrever sobre um filme como este. Durante a apresentação no Festival de Vitória, o cineasta Gabriel Nadippeh manifestou sua sincera gratidão pela oportunidade de apresentar seu filme de estreia na grande tela do maior evento cinematográfico do Estado. Em suas palavras, nunca tinha dirigido antes. Portanto, esta seria a oportunidade de ter seu trabalho exibido ao lado daquele de diretores experientes, e de testar suas habilidades a partir de uma obra de terror e ficção científica.

De fato, o autor não começa com meios-termos. Está confiante em sua abordagem narrativa e estética, repleta de imagens coloridas, saltos temporais, efeitos especiais e uma perseguição frenética pelos corredores de um hospital. Na trama, um grupo de pessoas acorda neste centro hospitalar, sem saber como foram parar lá. Através de flashbacks, somos apresentados ao encontro com um barman misterioso que manipula suas bebidas de modo a levar as cobaias ao experimento desejado.

Poderíamos indagar a construção incomum deste barman-médico, o local estrangeiro e legalizado, a passagem abrupta ao cenário espacial, ou a simples viabilidade do transporte de três vítimas em pleno estabelecimento comercial, com outros clientes ao redor. Mas passemos. Os principais problemas do curta-metragem são de outra ordem. Saltam aos olhos as deficiências na direção de atores, na fotografia, no som, na montagem, no roteiro. Este é um projeto caseiro e, pelo visto, plenamente ciente de sê-lo.

O desempenho do elenco está bem distante de um nível profissional, e as cores azuladas apenas aprofundam a artificialidade do conjunto.

A autoconsciência não impede o resultado de soar bastante incômodo, devido à dificuldade de simplesmente instaurar uma dinâmica verossímil, a partir de diálogos pouco naturais e de personagens caricatos — as vítimas punitivistas contra o cientista maluco. O desempenho do elenco está bem distante de um nível profissional, e as cores azuladas apenas aprofundam a artificialidade do conjunto. O teor sempre grave (de ameaças, perseguições e mortes) também resulta fortuito, devido à dificuldade de construir personagens verossímeis.

Em outras palavras, a empreitada não funciona. Aparenta dar passos muito maiores do que as pernas comportariam, antes mesmo de dominar a base: a construção de personagens, a elaboração de um roteiro adequado ao formato do curta, a dinâmica de mise en scène a respeito de espaço e tempo. Espera-se que o palco privilegiado do Festival de Vitória sirva aos artistas enquanto incentivo para aprimorarem as bases e perseguirem no caminho do cinema de gênero, tão carente de iniciativas por parte de novos cineastas.

Sob Olhos (2026)
1
Nota 1/10

Zeen is a next generation WordPress theme. It’s powerful, beautifully designed and comes with everything you need to engage your visitors and increase conversions.